sexta-feira, 19 de novembro de 2010

LIVRO O VAMPIRO (A BÍBLIA DOS ADOLESCENTES) PÁG 11

O VAMPIRO
(A Bíblia dos adolescentes)
Alcio

ZMF Editora

1º Edição

PRIMEIRA PARTE
PAVOR E ÊXTASE

CAPÍTULO 2

O Governador

Pág 11
O coronel refletiu intimamente que o assunto favorito de todos os jornais nos últimos dois meses...era certamente...o vampiro.
Mas receou dizer em voz alta e expor-se ao ridículo.
- É...a dívida do FMI?
O governador emitiu um enorme suspiro de desalento:
- Constato que o senhor não lê jornais há pelos menos dois meses, prezado coronel. Mas o senhor não tem lido nem as páginas policias?
- É o tempo, senhor governador. Não me tem sobrado tempo para nada nesses últimos tempos, disse teimosamente o coronel.
O governador desistiu de jogar. Entrou direto no assunto. E disse, de sopetão:
- O assunto favorito de todos os jornais tem sido o misterioso vampiro, caro coronel. Saiba em primeira mão que há um vampiro à solta nas ruas da cidade. E que nas noites de lua cheia ele invade as residências mas inacessíveis de pessoas de posses, e crava os dois dentes caninos no pescoço de um filho ou de uma filha única. Entendeu? Um filho ou uma filha única adolescente.
O coronel Caio piscou duas vezes, completamente apanhado de surpresa. O governador ressaltou bem e pela segunda vez as seguintes palavras:
- E eu sou um homem muito rico e tenho uma filha única adolescente. Dá para entender agora, prezado coronel Caio Célio...o porquê de ter passado por cima de uma porção de críticas e tê-lo trazido para chefiar a minha guarda pessoal do palácio?
- Dá...sim...dá - murmurou o coronel Caio, que não sabia se sentia lisonjeado ou um perfeito imbecil.
Pág 11

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

LIVRO O VAMPIRO (A BÍBLIA DOS ADOLESCENTES) PÁG 10


O VAMPIRO
(A Bíblia dos adolescentes)
Alcio

ZMF Editora

1º Edição


PRIMEIRA PARTE
PAVOR E ÊXTASE

CAPÍTULO 2

O Governador

Pág 10

...governador, prestes a entrar no assunto, começava a aparecer ficar muito nervoso.
Por fim, parou um momento diante do coronel, esticou um dedo apontado em sua direção e disse-lhe:
- Coronel Caio...nesses últimos dois meses tem acontecido coisas muito estranhas nesta pacata cidade.
A voz do governador estava hesitante e algo tensa.
O coronel Caio franziu a testa, um pouco sem entender.
- Coisas muito estranhas, prezado coronel Caio - o governador procurou ressaltar com força mais uma vez. - O senhor pode me entender?
- Confesso que não - esboçou um leve sorriso o coronel.
O governador parecia pouco à vontade para entrar diretamente no assunto. Procurava, pois, falar por tabela.
- O senhor não tem ouvido nada pela cidade? Não tem lido nada?
O coronel Caio encostou-se à cadeira e remexeu-se depois com um ar terrivelmente frustrado.
- Senhor governador...eu...eu...
- Vou ser mais claro, coronel. Eu quero lhe dizer que eu sou um homem mais ou menos rico e que tenho uma filha única e adolescente.
O coronel Caio engoliu em seco e pela primeira vez na vida sentiu-se afundar num redemoinho de frustrações: não estava entendendo nada do que o seu superior hierárquico lhe pretendia dizer.
- Senhor governador...eu...sabe...
- Vou ser ainda mais claro, coronel Caio - o governador sentou-se e curvou-se misteriosamente na direção do coronel - qual é que tem sido o assunto favorito de todos os jornais nos últimos dois meses?

Pág. 10

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

LIVRO O VAMPIRO (A BÍBLIA DOS ADOLESCENTES) PÁG 9


O VAMPIRO
(A Bíblia dos adolescentes)
Alcio

ZMF Editora

1º Edição


PRIMEIRA PARTE
PAVOR E ÊXTASE

CAPÍTULO 2

O Governador

Pág 9

Eles fazem um barulho tão grande que até derrubam a gente. Mas, fique tranquilo que já está tudo esfriando de novo. O senhor já recebeu até de volta a maior parte dos seus soldados daquele dia. Não é verdade?
- E trouxe-os comigo...conforme o senhor me solicitou. E acho que o senhor tem toda a razão. Eu mesmo, confesso que gosto de ter esses rapazes por perto. Não titubeiam em serviço. Mostram que estão ali para agir nos momentos precisos.
- O coronel está com toda a razão do mundo. Eu acho muito engraçado é essa população viver protestando que a cidade está atulhada de marginais, e então, se acaso um homem como o senhor, no cumprimento do dever, manda algumas dezenas deles mais cedo para o inferno, vêm essas enxurradas de protestos em sentido contrário. As pessoas nunca estão satisfeitas.
- E eu acho até que elas protestam só por protestar, senhor governador. Sem qualquer sinceridade. E se o senhor der uma coisa a elas, elas pedem logo o oposto disso.
- Pedem mesmo. Não viu eles reclamarem que os marginais não tinham com eles nem uma só arma de fogo? O que é que esses jornalistas queriam? Na certa queriam que a gente passasse a distribuir armas de fogo nos presídios para os pobres bandidos carentes. Durma-se com um barulho desses!
- O senhor é dos meus, senhor governador - disse-lhe com ênfase o coronel Caio.
Dito isto, calou-se, e ficou à espera das instruções que o governador certamente lhe iria passar, relativas a sua presença na chefia da guarda do palácio.
O governador pôs-se a andar de um lado para o outro da sua faixa delimitada pela escrivaninha. As duas mãos entrelaçadas atrás, nas costas. E o coronel Caio pôde notar que o...

Pág 9

terça-feira, 9 de novembro de 2010

LIVRO O VAMPIRO (A BÍBLIA DOS ADOLESCENTES) PÁG 8



O VAMPIRO
(A Bíblia dos adolescentes)
Alcio

ZMF Editora

1º Edição


PRIMEIRA PARTE
PAVOR E ÊXTASE

CAPÍTULO 2

O Governador

Pág 8

- Comandante Caio Célio, o senhor governador o espera.
O coronel ergueu-se vivamente, e o seu subcomandante disse-lhe:
- Espero-o aqui, coronel.
- Está bem - disse o coronel.
Ajeitou-se com esmero o uniforme , passou a mão pelos cabelos, e recolocou novamente o quépi. Em seguida entrou no gabinete do governador.
- Seja bem-vindo, coronel Caio _ saudou-o o governador , pondo-se de pé, e ajeitando ele próprio uma cadeira para o outro sentar-se. - Não imagina por quanto tempo tempo que vinha tentando trazê-lo para a guarda do palácio.
O coronel apertou-lhe a mão e sorriu modestamente.
- Eu também esperava por isso há muito tempo. Quase vim há três meses. Mas aí houve aquela terrível perseguição sobre a minha pessoa por causa do episódio Martines, senhor governador. Não vim por isso.
- Um desaforo, aquilo - o governador replicou-lhe, indignado - Eu diria mais: um desacato a uma autoridade do seu porte. eu quero que saiba que eu não aprovei pessoalmente nem um pouco o seu afastamento.
- Eu sei, senhor governador. O senhor tem outra cabeça. Mais lúcida. Mas o senhor sabe como é. Disseram-me que foi coisa de estrangeiros. Disseram-me que é porque estava havendo uma pressão internacional muito grande, que tinham que me manter dois ou três meses longe das tropas. Mas o senhor sabe que eu não entendo por que é que esses estrangeiros se metem tanto? Não sabem nada da nossa realidade.
- São essas tais organizações de direitos humanos. Por isso é que eu tive que concordar com seu afastamento provisório, e mais o afastamento de todos os seus comandados que entraram naquele dia no presídio Martines. Caso contrário,

Pág 8

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

LIVRO O VAMPIRO (A BÍBLIA DOS ADOLESCENTES) PÁG 7



O VAMPIRO
(A Bíblia dos adolescentes)
Alcio

ZMF Editora

1º Edição


PRIMEIRA PARTE
PAVOR E ÊXTASE

CAPÍTULO 2

O Governador

Pág. 7

Ergueu-se, guardou serenamente todos os papéis em uma pasta de couro, e cumprimentando com a cabeça novamente os dois militares seguiu na direcção da porta aberta.
Entrou, e já saudou de longe ao governador, que estava sentado na outra extremidade da sala, detrás de uma mesa enorme.
Ele próprio fechou a porta quando entrou.
- Como está, L.D.? - disse-lhe o governador.
Ele foi sentar-se ofegante em uma cadeira próxima da cadeira do governador. Nem aguardou que o governador o convidasse.
- Passei só para uns últimos detalhes sobre a remessa de fundos do Banco do Estado para o exterior. Ainda tenho que ir em dois lugares agora. É só uns detalhes à toa.
- Está bom. - o governador sorriu - já fechou o negócio?
- Vou fechar ainda hoje. Precisamos só discutir uma cláusula de nada. Aí o negócio sai. E...boca de siri, o que vai entrar de grana...
- Está bom. Vamos aos detalhes...
- Olhe aqui...
Abriu novamente a pasta de couro, e retirou os papéis que estivera examinando há instantes. Exibiu-os ao governador, e leu-lhe uma ou duas frases em voz alta. Nos dez minutos seguintes ambos iriam estar discutindo o tal problema até que, por fim, chegassem a um denominador comum. Foi o que houve. Tão esbaforido como quando chegou, o cavalheiro de têmporas suadas guardou os seus papéis e saiu. Cumprimentou pela terceira vez os dois militares da ante-sala, e desta feita dirigiu-se para o elevador comum. Os dois militares seguiram-no discretamente com o olhar.
Um minuto depois, a voz amável do mesmo assessor disse:

Pág. 7

terça-feira, 2 de novembro de 2010

LIVRO O VAMPIRO (A BÍBLIA DOS ADOLESCENTES) PÁG 6



O VAMPIRO
(A Bíblia dos adolescentes)
Alcio

ZMF Editora

1º Edição


PRIMEIRA PARTE
PAVOR E ÊXTASE

CAPÍTULO 2

O Governador

Pág. 6

Os soldados ficaram aguardando no pátio as ordens, e o coronel Caio Célio entrou junto com o Major Valdo na sede do palácio do governo. Ambos dirigiram-se conversando em voz baixa para o elevador . Nesse momento, um homem corpulento e calvo de meia idade, vestindo terno escuro, irrompeu no saguão, e, com passos enérgicos encaminhou-se directamente para o elevador privativo do chefe do governo.
- Psiu... - murmurou o major Valdo para o seu comandante - conhece-o, senhor?
- Não
- É L.D. - sussurrou o major Valdo - Ofamoso sombra do governador. Dizem que só de negócios escusos dos quais serve de intermediário daria para adquirir dois Estados. Está sempre aqui.
O major Valdo tossiu discretamente, O homem corpulento subiu primeiro no outro elevador . O coronel Caio Célio cofiou os bigodes e observou:
- Hoje é realmente o meu dia de encontrar ao vivo pessoas famosas.
No momento em que chegaram na ante-sala do gabinete do governador já encontraram o homem corpulento sentado, de testa vincada, folheando uns papéis. Cumprimentou ligeiramente os dois militares. Nesse momento, um dos assessores do governador surgiu do interior de uma das salas. E disse:
- Senhor Laudelino Dantas, tenha a bondade. O senhor governador o aguarda.
- Obrigado - ele disse.

Pág. 6

LIVRO O VAMPIRO (A BÍBLIA DOS ADOLESCENTES) PÁG 5


O VAMPIRO
(A Bíblia dos adolescentes)
Alcio

ZMF Editora

1º Edição


PRIMEIRA PARTE
PAVOR E ÊXTASE

CAPÍTULO 1

Os Artistas

Pág. 5

- Faça isso - Respondeu um pouco pálido o terrivelmente enérgico coronel Caio Célio. - Faça isso agora mesmo.

***